O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, vinha aparecendo empatado com o presidente Lula nas simulações de segundo turno em várias pesquisas de opinião até aqui publicadas.
O vazamento do áudio deixado pelo senador no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, no qual pede R$ 134 milhões, supostamente para custear o filme que está sendo produzido sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, é grave sob vários aspectos, a começar pelo valor, totalmente discrepante do que normalmente se gasta em grandes produções no Brasil, a exemplo de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”.
Mas foi a mentira que, a meu ver, fez a bomba explodir.
Mentir e ser flagrado na mentira, em um caso rumoroso como esse, é imperdoável e inadmissível.
Sei que os bolsonaristas mais apaixonados já o absolveram. Devem até me xingar, em vão.
Particularmente, vivo um dilema: votar na direita ou dar mais um mandato ao presidente Lula. Flávio, porém, nunca figurou entre os meus candidatos. Tenho meus motivos. E agora, de uma vez por todas, rasguei seu santinho.
O eleitor brasileiro é tolerante por natureza. Só leva ao cadafalso aqueles que já não têm margem para perdão.
Mentir a propósito de um suposto apoio a um filme é algo que dificilmente passa despercebido em uma campanha presidencial.
As próximas pesquisas, suponho, irão apontar o tamanho do dano. Quem ainda acredita no senador? Quantas mentiras ele ainda é capaz de contar? E quantas já não contou?
A propósito, mentiu também o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Poderoso, vem conseguindo tirar o escândalo da mira da imprensa. Mas ele está feliz. Muito feliz. O escritório de sua esposa e de seus filhos já faturou R$ 80 milhões do generoso banqueiro Daniel Vorcaro e, até hoje, ninguém sabe exatamente quais serviços foram prestados. Inegavelmente trata-se de um magistrado brilhante.
Ronaldinho Cunha Lima








