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Empresários defendem revisão completa do Simples Nacional durante debate sobre novo teto do MEI

Sessão do Congresso Nacional com debate entre parlamentares sobre pedido de CPMI do Banco Master.

Representantes de micro e pequenas empresas defenderam nesta quarta-feira (1º), durante sessão solene na Câmara dos Deputados em homenagem ao Dia das Micro, Pequenas e Médias Empresas, uma atualização geral da tabela do Simples Nacional. O pedido ocorreu durante o debate sobre o projeto do governo federal que amplia os limites de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI).

A proposta enviada pelo governo à Câmara prevê que o teto anual de faturamento do MEI passe dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e para R$ 140 mil em 2028. O texto também autoriza os microempreendedores individuais a contratar até dois empregados, remunerados com um salário mínimo ou com o piso salarial da categoria.

Empresários pedem revisão ampla do Simples

Apesar de apoiarem a atualização dos limites do MEI, representantes do setor afirmaram que a medida, isoladamente, não resolve as dificuldades enfrentadas pelas micro e pequenas empresas.

Na Câmara, o tema é analisado por uma comissão especial que discute o Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2021 e propostas apensadas. O relator, o deputado federal Jorge Goetten, defendeu uma revisão completa das faixas de enquadramento do Simples Nacional.

O presidente da Frente Parlamentar Mista do Ambiente de Negócios, o deputado federal Mendonça Filho, também manifestou apoio à atualização da tabela para micro e pequenas empresas.

Inflação reduz alcance dos limites atuais

A presidente da comissão especial, a deputada federal Any Ortiz, afirmou que a falta de atualização dos limites tem provocado a exclusão de empresas do regime simplificado apenas em razão da inflação acumulada.

Segundo ela, desde a última revisão dos valores, realizada em 2018, a inflação medida pelo IPCA acumula 55,4%, reduzindo o alcance das faixas de enquadramento.

“Ainda não é por conta de um crescimento real, não por conta de um crescimento orgânico, mas, sim, por um achatamento do teto por conta dessa inflação acumulada”, afirmou.

O presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, José Cesar da Costa, reforçou que a atualização não deve contemplar apenas os microempreendedores individuais.

“Não podemos aumentar apenas o teto do MEI e deixar de fora mais de 7 milhões de microempresas. É preciso garantir que elas cresçam e não sejam paralisadas justamente por gerar mais emprego e renda”, declarou.

Relator alerta para possíveis distorções

Para o relator Jorge Goetten, elevar apenas o teto do MEI pode criar distorções dentro do Simples Nacional, estimulando empresas a permanecerem enquadradas como microempreendedores individuais em razão da carga tributária reduzida.

Segundo o parlamentar, a intenção da comissão é construir um relatório consensual que contemple tanto a atualização dos limites do MEI quanto das demais faixas do Simples Nacional.

Propostas em discussão

Entre as propostas debatidas na comissão está a elevação do teto anual de faturamento do MEI para R$ 140 mil.

Também está em análise o aumento do limite das microempresas, que passaria de R$ 360 mil para R$ 869 mil por ano. Já o teto das empresas de pequeno porte seria ampliado de R$ 4,8 milhões para R$ 8,69 milhões anuais.

As propostas ainda serão discutidas pelos parlamentares antes da elaboração do parecer final da comissão especial.

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