A ministra Cármen Lúcia, do (STF), afirmou nesta terça-feira (15) estar “envergonhada” com a exposição dos conflitos internos da Corte em meio ao período eleitoral. A declaração ocorreu durante a sessão que analisou procedimentos relacionados aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, em meio ao caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Segundo Cármen Lúcia, o Judiciário deveria preservar o rigor e a serenidade diante de questões processuais e situações consideradas graves. A ministra afirmou que a forma como os episódios foram expostos teria contribuído para gerar uma sensação de intranquilidade na população.
“Eu me sinto um pouco até envergonhada de, em um momento em que o Brasil está a menos de 20 dias da eleição, estarem todos voltados a questões do Supremo, que são questões processuais em parte, com muita expressão e com questões graves mesmo”, afirmou.
Ministra critica exposição dos conflitos
Durante a sessão, Cármen Lúcia afirmou que, como cidadã e integrante do Judiciário, poderia ter contribuído mais para preservar o rigor e a serenidade esperados da Corte.
A ministra também lamentou a repercussão dos conflitos internos e afirmou que o Supremo deveria contribuir para transmitir segurança à sociedade. Em manifestação durante o julgamento, classificou o momento como de “profunda consternação e tristeza”.
“O Poder Judicial existe para tranquilizar o povo e nós geramos intranquilidade, acho, e essa é a minha percepção”, declarou.
Cármen Lúcia acrescentou que os próprios integrantes do Supremo contribuíram, nos últimos dias, para ampliar a percepção de instabilidade em torno da Corte.
Julgamento envolve Moraes e Mendonça
A manifestação ocorreu durante a análise de uma questão relacionada à tramitação dos procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça.
O plenário discutia se os casos deveriam ser analisados conjuntamente ou em processos separados. A controvérsia envolve informações reunidas pela Polícia Federal sobre contatos entre Moraes e Daniel Vorcaro, além da atuação de Mendonça na condução de procedimentos relacionados ao caso Banco Master.
Durante a sessão, houve também um confronto verbal entre Gilmar Mendes e André Mendonça. Gilmar acusou Mendonça de conduzir o caso com possível viés político-eleitoral, enquanto Mendonça classificou a acusação como “leviana”.
Flávio Dino pede vista
O julgamento terminou sem uma definição sobre a forma de tramitação dos casos. O ministro Flávio Dino pediu vista, suspendendo a análise.
Até a suspensão, o placar parcial estava em 4 votos a 3 pela análise separada dos procedimentos envolvendo Moraes e Mendonça. Votaram pela tramitação separada Edson Fachin, Luiz Fux, Cármen Lúcia e André Mendonça. Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes defenderam a análise conjunta. Dino não teve seu posicionamento contabilizado no placar por ter pedido vista.
Com o pedido de vista, ainda não há data definida para a retomada da análise.
A manifestação de Cármen Lúcia ocorreu em um contexto de forte exposição pública dos debates internos do STF, às vésperas das eleições presidenciais de 2026, marcadas para 4 de outubro.








