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Diretor da Fundação FHC rebate fala de Janja e diz que declaração sobre primeiras-damas revela “desconhecimento da história”

Janja Lula da Silva durante agenda oficial e Ruth Cardoso em evento institucional durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

O diretor-geral da Fundação FHC, Sergio Fausto, criticou a declaração da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, de que o Brasil “nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse efetivamente”. Em resposta, Fausto afirmou que a fala demonstra “desconhecimento da história” e destacou a atuação da antropóloga Ruth Cardoso durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

A declaração de Janja foi dada em entrevista ao programa Frente a Frente, parceria entre UOL e Folha de S.Paulo, ao comentar as críticas que recebe pela participação em agendas oficiais e pela ausência de um cargo formal no governo.

Segundo Sergio Fausto, a afirmação da atual primeira-dama ignora o legado deixado por Ruth Cardoso.

“A fala da primeira-dama revela tal desconhecimento da história que não merece comentário”, afirmou.

Fundação destaca legado de Ruth Cardoso

A Fundação FHC ressaltou que Ruth Cardoso teve papel ativo na formulação e coordenação de políticas sociais durante o governo Fernando Henrique.

Em 1995, ela criou o programa Comunidade Solidária, iniciativa voltada ao combate à pobreza e à exclusão social, que articulava ações entre governo federal, estados, municípios e organizações da sociedade civil.

Além da atuação no Brasil, Ruth Cardoso ocupou posições de destaque em organismos internacionais. Entre elas, presidiu o Conselho Assessor sobre Mulher e Desenvolvimento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), integrou a junta diretiva da UN Foundation e participou da Comissão da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre as Dimensões Sociais da Globalização.

O que disse Janja

Durante a entrevista, Janja afirmou que mantém uma rotina intensa de trabalho no Palácio do Planalto e em viagens oficiais.

“Quase todo dia vou para o Planalto, faço reunião, tenho agenda, viajo a trabalho. A sociedade brasileira nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse efetivamente.”

Ela atribuiu parte das críticas ao fato de exercer uma atuação pública mais intensa do que outras primeiras-damas e disse que sua agenda é transparente.

Questionada sobre a ausência de um cargo formal no governo, Janja respondeu que todas as suas atividades são públicas.

Críticas à cobertura da imprensa

Na mesma entrevista, a primeira-dama afirmou que parte da imprensa prioriza bastidores e temas considerados secundários em vez das pautas que desenvolve.

Segundo Janja, iniciativas como sua atuação como embaixadora da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a participação no Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios recebem menos atenção do que assuntos relacionados aos bastidores políticos.

A declaração provocou reação da Fundação FHC, que utilizou o histórico de atuação de Ruth Cardoso para contestar a afirmação de que o Brasil nunca teve uma primeira-dama com atuação efetiva em políticas públicas.

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