A polarização entre PT e PL rende palanque, engajamento e votos. Para as estruturas partidárias, o desempenho eleitoral também tem consequência financeira: a maior parcela do Fundo Partidário é distribuída conforme a votação das legendas para a Câmara dos Deputados. Enquanto o eleitor compra a briga, os partidos disputam poder e recursos públicos.
É preciso esclarecer: não se trata simplesmente de eleger mais deputados federais para receber mais dinheiro do Fundo Partidário. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, 95% dos recursos são distribuídos proporcionalmente aos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara, observadas as regras de acesso. A força eleitoral, portanto, também pesa no caixa das siglas.
Nesse ambiente, o NinjaCast promoveu, na quinta-feira (15), um debate entre os deputados estaduais eleitos Flávio Brasileiro, do PT, e Fábio Lopes, do PL. O encontro colocou frente a frente representantes dos dois partidos que protagonizam a polarização nacional.
Na avaliação deste editorial, porém, faltou colocar a Paraíba no centro da conversa. Educação, segurança pública estadual , segurança hídrica, saúde e mobilidade exigem diagnóstico, propostas e explicações sobre como os futuros parlamentares pretendem trabalhar. O confronto partidário deveria servir para comparar caminhos para o estado.
A cobrança não é pela ausência de divergências. Divergir faz parte da democracia. O problema aparece quando a defesa das bandeiras nacionais ocupa o espaço que deveria ser dedicado às necessidades dos paraibanos.
Que prioridades os dois pretendem defender no orçamento estadual? Como vão fiscalizar os serviços públicos? Quais medidas legislativas apresentarão para enfrentar os problemas da população? São essas respostas que permitem avaliar a preparação de quem chega à Assembleia Legislativa.
Quando o debate se concentra em defender o próprio campo e atacar o adversário, transmite a impressão de que a responsabilidade com o mandato ficou em segundo plano. A Paraíba precisa de parlamentares capazes de transformar posições políticas em trabalho, fiscalização e resultados.
PT e PL sabem mobilizar suas torcidas. Resta demonstrar a mesma disposição para discutir os desafios de quem enfrenta falta de água, espera por atendimento médico, dificuldades na escola e transporte precário.
A polarização pode ser conveniente para os partidos. Para o cidadão, gasolina na fogueira não resolve problema algum. Se a prioridade continuar sendo alimentar o confronto, a mensagem será a de sempre: que o Brasil e a Paraíba se lasquem.









