O prefeito de Caaporã, Chico Nazário (União Brasil), foi afastado do cargo nesta quinta-feira (20) durante a Operação Purgatório, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). O afastamento foi determinado pelo Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB). A investigação apura uma possível organização criminosa instalada dentro da Prefeitura de Caaporã.
Segundo as investigações, o grupo teria envolvimento em fraudes em contratos públicos, especialmente relacionados à coleta de lixo. Também são apuradas suspeitas de falsidade ideológica, uso de documento falso e lavagem de dinheiro.
De acordo com o Gaeco, o possível prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 2 milhões.
Investigação cita dinheiro para campanha
Entre os elementos reunidos na investigação estão vídeos gravados em 2024 que mostram Chico Nazário, então candidato a prefeito, recebendo uma bolsa com dinheiro.
Segundo o Gaeco, o valor seria de R$ 400 mil e teria sido destinado à campanha eleitoral. A suspeita é de que o repasse estivesse relacionado à expectativa de contratação de uma empresa indicada pelo consultor financeiro Sandro Trajano para prestar o serviço de coleta de lixo no município.
Após assumir a Prefeitura, a gestão de Chico Nazário rescindiu um contrato que tinha custo anual de R$ 1,6 milhão.
Novo contrato para coleta de lixo
Na sequência, a Prefeitura contratou a empresa HAC Serviços Ambientais por R$ 270 mil mensais. O contrato, no valor de R$ 3,2 milhões, foi firmado por meio de dispensa de licitação.
Sandro Trajano, apontado nas investigações como consultor financeiro, também chegou a ocupar o cargo de secretário municipal de Articulação Política na gestão de Chico Nazário.
A Operação Purgatório investiga se as contratações e demais atos administrativos fizeram parte de um esquema estruturado para beneficiar empresas e movimentar recursos de origem ilícita.
Até a publicação desta reportagem, a defesa do prefeito Chico Nazário não havia se manifestado sobre as acusações.









