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TRE-PB concede direito de resposta a Veneziano sobre manchete da Folha

O senador Veneziano Vital do Rêgo reagiu nesta quinta-feira (18) às declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, que o acusou de demonstrar “desespero” ao divulgar um vídeo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmando apoio à sua reeleição para o Senado. Na quarta-feira (17), Hugo Motta afirmou que Veneziano estaria antecipando o debate eleitoral e recorrendo ao prestígio de Lula como forma de fortalecer sua candidatura para 2026. As declarações ocorreram após a divulgação de um vídeo do presidente da República em apoio ao senador paraibano. O gesto de Lula a Veneziano aconteceu em meio a notícias veiculadas na imprensa nacional apontando uma possível ampliação da aproximação do presidente com o ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley, pai de Hugo Motta e também apontado como pré-candidato ao Senado. Senador cobra explicações Em entrevista ao programa Paraíba Boa, Veneziano rebateu as críticas e direcionou questionamentos ao presidente da Câmara sobre reportagens recentes que abordam sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo o senador, Hugo Motta deveria concentrar esforços em esclarecer os fatos divulgados pela imprensa nacional envolvendo hospedagens em hotel de luxo em Lisboa, viagens em aeronave particular e a intermediação de um empréstimo para uma familiar do parlamentar. “O presidente da Câmara deveria, aí sim, preocupar-se em responder à opinião pública e justificar aquilo que, para mim e para boa parte da opinião pública nacional, parece injustificável, diante de tudo o que vem sendo divulgado em nível nacional sobre suas relações pouco ou nada explicáveis”, declarou. Críticas se intensificam Veneziano elevou o tom das críticas ao comentar os episódios divulgados nos últimos dias e afirmou que os fatos merecem esclarecimentos públicos. “Quem tem que se explicar sobre suas íntimas relações, quem tem que se explicar sobre todos os mimos recebidos nessas relações, a meu ver promíscuas e incompatíveis com a função pública, é ele. São fatos que vêm sendo amplamente divulgados e que merecem esclarecimentos à sociedade”, afirmou. Disputa política se acirra A troca de declarações ocorre em meio ao avanço das articulações para as eleições de 2026 na Paraíba. De um lado, Hugo Motta tem reforçado a defesa do grupo político liderado pelo governador Lucas Ribeiro e pelo ex-governador João Azevêdo. Do outro, Veneziano busca consolidar sua candidatura à reeleição ao Senado com o apoio do presidente Lula. O episódio amplia o embate entre duas das principais lideranças políticas do estado e evidencia a antecipação das movimentações eleitorais que devem marcar o cenário político paraibano nos próximos meses.

O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) concedeu direito de resposta ao senador e candidato à reeleição (MDB-PB) em relação à manchete publicada pela na edição impressa de 9 de setembro, sobre a destinação de R$ 210 milhões em emendas para obras de ampliação da BR-230 na Paraíba.

A decisão foi tomada pelo juiz auxiliar Aluizio Bezerra Filho. Segundo o entendimento apresentado no processo, a chamada “Senador envia R$ 210 milhões em emendas para obra de ex-funcionário” ultrapassou os limites de uma síntese jornalística ao estabelecer uma relação direta entre os recursos indicados por Veneziano e a contratação de empresas vinculadas a pessoas que tiveram passagem por seu gabinete.

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TRE-PB aponta supressão de etapas na manchete

De acordo com a decisão, a manchete teria deixado de apresentar etapas da cadeia de fatos descrita na própria reportagem, especialmente a atuação dos consórcios responsáveis pela execução da obra e a posterior contratação de empresas.

Para o tribunal, a formulação poderia transmitir ao eleitorado a ideia de uma relação direta entre a atuação parlamentar de Veneziano e as empresas contratadas para serviços relacionados à obra, sendo considerada capaz de atingir a honra objetiva do candidato.

A reportagem da Folha informou que Veneziano destinou R$ 210 milhões para a ampliação da BR-230 no Orçamento de 2023. O valor corresponde a R$ 160 milhões em emendas de relator e R$ 50 milhões da Comissão de Infraestrutura do Senado. O jornal também informou que empresas subcontratadas pelos consórcios responsáveis pela obra tinham vínculos societários ou familiares com pessoas que passaram pelo gabinete do senador.

Decisão determina publicação da resposta

O TRE-PB determinou que o direito de resposta seja publicado pela Folha de S.Paulo no mesmo veículo, espaço, local e página em que a manchete questionada foi veiculada. O texto deverá ter tamanho e destaque equivalentes e ser publicado no prazo de até dois dias.

A decisão também destacou que Veneziano não participou da escolha de fornecedores, não indicou empresas e não dirigiu ou influenciou subcontratações privadas relacionadas à execução da obra.

O direito de resposta fixado pela Justiça Eleitoral deverá afirmar que a indicação das emendas parlamentares para a BR-230 ocorreu de forma pública e que não houve indicação de fornecedores ou comunicação entre o gabinete parlamentar e os consórcios sobre quais empresas seriam contratadas.

Resposta definida pela Justiça Eleitoral

Entre os trechos determinados pelo TRE-PB estão as seguintes afirmações:

“O senador Veneziano Vital do Rêgo indicou emendas parlamentares para a BR-230. Isso é verdade, é público.”

“Não houve indicação de fornecedores. Não houve qualquer comunicação entre o gabinete parlamentar e os consórcios sobre quais empresas contratar.”

“Veneziano não dirigiu, não influenciou e não conhecia as subcontratações privadas descritas na reportagem.”

A decisão concede o direito de resposta especificamente em relação à manchete, sem retirar a reportagem de circulação. A disputa judicial teve início após Veneziano acionar o TRE-PB contra a publicação. A Folha apresentou defesa e sustentou a reportagem durante a tramitação do processo.

A obra de ampliação da BR-230 envolve trechos entre Campina Grande e Cabedelo. Segundo a reportagem original, os serviços são executados por consórcios que posteriormente contrataram empresas relacionadas a pessoas com vínculos profissionais anteriores ou familiares com integrantes do gabinete do senador.

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