O empresário e produtor cultural João Suassuna, neto do escritor Ariano Suassuna, foi agraciado com o título de cidadão pessoense pela Câmara Municipal de João Pessoa. A homenagem foi proposta pelo presidente da Casa, vereador Dinho Dowsley, e reconhece a relação de João com a capital paraibana e com a obra de seu avô.
Em entrevista, João afirmou que recebeu a homenagem com emoção e disse que já se considerava, na prática, cidadão de João Pessoa pela acolhida que sempre recebeu na cidade.
“Eu já me sentia cidadão faticamente por toda a acolhida que eu sempre tive aqui”, afirmou.
João destacou ainda a ligação familiar com a Paraíba, por meio de seu pai, João de Andrade Lima Suassuna, filho mais velho de Ariano, e com Pernambuco, estado de origem de sua mãe.
“Meu coração dividido em igualdade entre Paraíba e Pernambuco”
Ao falar sobre a relação de Ariano Suassuna com os dois estados, João afirmou que não existe uma disputa familiar sobre a origem territorial do escritor. Segundo ele, Paraíba e Pernambuco fazem parte igualmente da identidade de Ariano.
João contou uma lembrança familiar para ilustrar a relação do avô com a Paraíba. Segundo ele, sempre que Ariano chegava à divisa entre os dois estados, costumava parar o carro e dizer: “Agora estamos entrando em território sagrado paraibano”.
Para o neto do escritor, a relação entre Paraíba e Pernambuco deve ser compreendida como uma ligação entre estados irmãos.
Ariano retratou a Paraíba e alcançou o mundo
João também destacou a influência da literatura russa na formação intelectual de Ariano e citou o escritor russo Liev Tolstói para explicar como o avô transformou referências locais em uma obra de alcance universal.
Segundo João, embora muitas das histórias de Ariano tenham a Paraíba como cenário e referência, a obra do escritor acabou alcançando todo o Nordeste, o Brasil e outros países.
“A aldeia que Ariano pintava em todas as suas obras era Paraíba. A ação das obras de Ariano se passa aqui. Mas pintando a Paraíba, ele acabou por pintar todo o Nordeste, todo o Brasil e todo o mundo”, afirmou.
Para ele, essa capacidade de partir de elementos regionais e alcançar temas universais contribuiu para tornar Ariano Suassuna um nome atemporal.
Família mantém legado cultural de Ariano
João também falou sobre a missão assumida pela família para preservar e difundir o legado do escritor.
Ele destacou que, dentro de casa, Ariano era tratado antes de tudo como avô, e não apenas como o escritor e personalidade pública reconhecido nacionalmente.
“Antes dele ser Ariano Suassuna, ele era vovô Ariano”, contou.
Segundo João, a família mantém uma convivência próxima e procura preservar valores que faziam parte da vida pessoal do escritor. Ele também ressaltou que o legado de Ariano não pertence apenas aos familiares, mas ao conjunto da sociedade brasileira.
“Se juntar a família Suassuna todinha, não dá a metade do que foi Ariano Suassuna. Essa não é a nossa pretensão, por isso que a gente congrega o povo brasileiro pra gente levar adiante esse legado dele, que é de nós todos efetivamente”, afirmou.
Aula-espetáculo marca homenagem
A entrega do título de cidadania ocorre no mesmo dia em que João participa de uma aula-espetáculo aberta ao público na Trilha do Mestre, no Centro Cultural Ariano Suassuna, em João Pessoa.
A programação é gratuita e foi apresentada por João como uma oportunidade de aproximar o público da obra e do pensamento do escritor.
“Vamos trazer muito riso, muita reflexão, muita emoção, mostrando que essa chama de Ariano continua nos impulsionando a nós todos. É uma chama imortal”, declarou.
Ariano homem público
Questionado sobre a possibilidade de algum integrante da família Suassuna seguir carreira política e representar o legado familiar na vida pública, João afirmou que Ariano já exercia uma forma de atuação política mesmo sem ter ocupado mandato eletivo.
Ele citou o filósofo Aristóteles para defender uma concepção de política ligada ao serviço à sociedade e afirmou que a atuação pública deve ser avaliada pelo objetivo de promover transformação social.
“Ariano exercia a boa política sem efetivamente nunca ter tido um mandato”, afirmou.
Para João, a atuação em favor do bem comum pode ocorrer independentemente da ocupação de um cargo eletivo.
“Eu acho que isso independe de onde você esteja, mas sim o fim que você pretende. Eu acho que isso é mais do que uma disputa de cargo”, concluiu.







