A Polícia Federal encontrou, na churrasqueira da residência do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em Brasília, documentos com nomes de deputados acompanhados de anotações que seriam, provavelmente, valores. O material foi localizado durante uma operação de busca e apreensão realizada em maio, na quinta fase da Operação Compliance Zero, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
O relatório da diligência foi tornado público na sexta-feira (11), após o ministro André Mendonça ampliar a retirada de sigilo de processos relacionados ao caso Master.
Segundo a PF, uma funcionária da residência afirmou que os documentos encontrados na churrasqueira haviam sido entregues por Ciro Nogueira para serem queimados. A justificativa apresentada pelo senador, conforme o depoimento, seria de que se tratava de material “antigo ou sem serventia”.
A funcionária afirmou aos investigadores que não chegou a queimar os papéis por “ausência de tempo hábil”.
PF aponta nomes acompanhados de números
No relatório, os investigadores destacaram que os documentos continham nomes e números cuja natureza ainda precisa ser esclarecida.
“Ressalte-se que, ao lado de cada nome, há números e, em seguida, valores (provavelmente), o que carece de esclarecimento”, registraram os agentes responsáveis pela busca.
A PF também mencionou outras anotações encontradas durante a diligência, incluindo malas etiquetadas com nomes de terceiros.
Os documentos deverão ser analisados para determinar a origem, o significado das anotações e eventual relação com as investigações da Operação Compliance Zero.
Arthur Lira e Hugo Motta negam envolvimento
Entre os nomes citados no material estão os deputados federais Arthur Lira e Hugo Motta.
Procurada pela CNN, a assessoria de Arthur Lira afirmou que o deputado desconhece as anotações mencionadas no relatório.
Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, classificou como “absurdo” associar seu nome a qualquer ilícito com base no que chamou de “documento apócrifo”. Ele afirmou desconhecer a autoria e o conteúdo do material.
“Confio nos órgãos responsáveis pelas investigações, a quem cabe responder pelas apurações. Não podemos permitir que inverdades se multipliquem, particularmente em período eleitoral”, declarou.
Até o momento, a presença dos nomes nas anotações não comprova, por si só, qualquer participação dos parlamentares em irregularidades.
PF apreende dinheiro, relógios e veículos
Durante o cumprimento do mandado, os agentes também apreenderam dinheiro em moeda estrangeira, relógios, veículos e aparelhos eletrônicos na residência do senador.
No escritório de Ciro Nogueira, foram encontrados US$ 27.735, € 1.555 e 890 liras turcas. O dinheiro foi encaminhado à Caixa Econômica Federal para custódia.
Em um cofre localizado no quarto do senador, os agentes apreenderam um pendrive, três relógios aparentemente da marca Rolex, um relógio aparentemente da Patek Philippe e um crucifixo dourado. Os objetos foram encaminhados para perícia, que deverá identificar suas características, origem e valor de mercado.
Também foram apreendidos uma BMW 440i e uma motocicleta Honda CB1000R.
PF cita “sinais de riqueza aparente”
O relatório registra ainda a apreensão ou identificação de bebidas alcoólicas de alto valor, incluindo vinhos importados e uísques, além de bolsas de grife encontradas em diferentes cômodos da residência.
Segundo a PF, a operação permitiu confirmar “sinais de riqueza aparente” atribuídos ao senador, além de localizar materiais considerados relevantes para o aprofundamento das investigações.
Entre os achados destacados pelos investigadores está o manuscrito encontrado na churrasqueira, com nomes de parlamentares acompanhados de possíveis valores.
A origem e o significado das anotações ainda precisam ser esclarecidos no decorrer da investigação da Operação Compliance Zero.









