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Moraes tira sigilo de decisão que aponta supostas irregularidades de Mendonça no caso Master

Ministro Alexandre de Moraes determina suspensão das visitas do senador Flávio Bolsonaro ao ex-presidente Jair Bolsonaro por 90 dias.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta quinta-feira (3) o sigilo de uma decisão que aponta supostas irregularidades na atuação do ministro André Mendonça na relatoria de processos relacionados às operações Sem Desconto e Compliance Zero.

Moraes encaminhou a decisão e os relatórios de inteligência da Polícia Federal (PF) que fundamentam o documento ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. A medida ocorre em meio ao debate interno na Corte sobre a condução das investigações relacionadas ao caso do Banco Master.

Documentos foram enviados a Edson Fachin

A decisão foi tomada no âmbito do Inquérito 4.781, instaurado em 2019 para apurar notícias fraudulentas, denunciações caluniosas, ameaças e outras infrações contra integrantes do Supremo, além de possíveis esquemas de financiamento e divulgação em massa de informações falsas nas redes sociais.

No despacho, Moraes determinou que o conjunto de documentos fosse encaminhado a Fachin “para as providências que entender necessárias”.

O ministro também determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) seja comunicada sobre o conteúdo.

Fachin abriu procedimento para apurar caso

O encaminhamento ocorreu no mesmo dia em que Edson Fachin determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem esclarecimentos sobre o caso Master. O prazo estabelecido pelo presidente do STF é de cinco dias úteis.

Fachin indicou que pretende verificar eventuais irregularidades na condução das investigações, incluindo o cumprimento das regras previstas na Lei Orgânica da Magistratura quando surgem indícios de possível crime praticado por magistrado.

O presidente da Corte também apontou a necessidade de esclarecer questões relacionadas ao acesso a documentos e à divulgação de informações submetidas a sigilo judicial.

Caso envolve investigações sobre o Banco Master

As medidas ocorrem após a divulgação de relatórios e mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.

André Mendonça, relator do caso, havia defendido que conversas atribuídas a Vorcaro e Moraes fossem analisadas pelo plenário do STF. O ministro também retirou o sigilo de parte dos documentos relacionados à investigação.

A PGR, por sua vez, pediu a nulidade de parte da investigação conduzida por Mendonça. Segundo Paulo Gonet, o aprofundamento da apuração envolvendo Moraes deveria ter sido submetido ao plenário do STF, e não determinado individualmente pelo relator.

O novo encaminhamento feito por Moraes a Fachin acrescenta mais um capítulo à disputa institucional em torno da condução das investigações relacionadas ao Banco Master e deverá ser analisado pela Presidência do Supremo.

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